A cidade de Londrina sediou, nos dias 10 e 11 de junho, a 40ª edição da Reunião de Pesquisa da Soja, um dos mais importantes eventos técnicos da cadeia produtiva da soja no Brasil. O encontro reuniu pesquisadores, consultores, empresas, extensionistas e produtores rurais para discutir os principais desafios, tendências e inovações que devem influenciar o futuro da cultura nos próximos anos.

 

Representando o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o extensionista Matheus Ribeiro participou do evento e destacou a relevância da atualização técnica proporcionada pelas palestras e debates. Segundo ele, a programação abordou temas estratégicos que vão desde mercado, genética e fertilidade do solo até inteligência artificial, agricultura regenerativa e mecanização de precisão.

 

Entre os assuntos discutidos, ganharam destaque as perspectivas para o mercado da soja. Especialistas apontaram que fatores externos, como as relações comerciais entre Estados Unidos e China, os conflitos geopolíticos e a atuação dos fundos de investimento, continuam exercendo forte influência sobre a formação dos preços. Apesar dos elevados estoques globais, novas oportunidades de agregação de valor vêm surgindo, especialmente com a expansão da soja de alto teor oleico e da utilização do óleo de soja na produção de SAF (Sustainable Aviation Fuel), o combustível sustentável para aviação.

 

No campo produtivo, as apresentações reforçaram que o aumento da produtividade depende da integração entre genética, ambiente e manejo. A escolha adequada de cultivares, a correção do perfil do solo, a qualidade da semeadura e o desenvolvimento radicular das plantas foram apontados como fatores fundamentais para sistemas mais eficientes e rentáveis. Nesse contexto, a agricultura regenerativa ganhou destaque como um conjunto de práticas voltadas à recuperação da saúde do solo, aumento da biodiversidade e maior sustentabilidade dos sistemas produtivos.

 

O manejo de nematoides também esteve entre os temas centrais do evento. Pesquisadores apresentaram avanços no melhoramento genético, no uso de produtos biológicos e em novas tecnologias para o controle desses organismos, responsáveis por prejuízos significativos à cultura da soja em diversas regiões produtoras.

 

Outro tema relevante foi o manejo de plantas daninhas resistentes. Especialistas alertaram para o aumento dos casos de resistência múltipla em espécies como o capim-pé-de-galinha, reforçando a necessidade da adoção de estratégias integradas de controle. Também foram apresentados avanços em bioherbicidas, tecnologias baseadas em RNA e sistemas de pulverização localizada.

 

A mecanização agrícola e a agricultura digital tiveram espaço de destaque nas discussões. Tecnologias como motores elétricos em plantadeiras, sistemas automáticos de controle de pressão sobre as linhas de semeadura, plataformas inteligentes de colheita e ferramentas de telemetria vêm ampliando a eficiência operacional nas propriedades rurais. A telemetria permite o monitoramento em tempo real de máquinas e equipamentos agrícolas, fornecendo dados sobre desempenho, consumo, produtividade e manutenção, contribuindo para decisões mais rápidas e assertivas.

 

A inteligência artificial também foi apontada como uma das principais tendências para o agronegócio. Sistemas capazes de processar grandes volumes de dados estão sendo utilizados para apoiar decisões relacionadas ao manejo, monitoramento de lavouras, aplicação de insumos e gestão das propriedades, tornando a produção mais eficiente e sustentável.

 

Para Matheus Ribeiro, a participação na 40ª Reunião de Pesquisa da Soja reforçou a importância da integração entre pesquisa, assistência técnica e extensão rural. “O evento demonstrou que o futuro da sojicultura dependerá cada vez mais da combinação entre inovação tecnológica, sustentabilidade e gestão eficiente. O conhecimento compartilhado servirá como importante subsídio para as ações de assistência técnica e extensão rural desenvolvidas junto aos produtores do Paraná”, destacou.

 

A reunião consolidou-se mais uma vez como um importante espaço para a difusão de conhecimento e discussão das tecnologias que irão orientar o desenvolvimento da sojicultura brasileira nos próximos anos.



FONTE | FOTOS: IDR-Paraná