A agricultura do Sudoeste do Paraná entra em um período de atenção com o fortalecimento do El Niño e a previsão de chuvas acima da média durante a primavera.

 

Nota Técnica Conjunta da Defesa Civil do Paraná e do Simepar, de 14 de agosto, indica 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro, condição que pode se estender até janeiro de 2027 e afetar a colheita do trigo e o início da safra de verão.

 

O documento informa que o Oceano Pacífico Equatorial permanece em aquecimento. A anomalia média da temperatura das águas chegou a 1,4°C em julho e atingiu 1,8°C na semana mais recente analisada, patamar que caracteriza um El Niño forte. Os modelos climáticos apontam que esse aquecimento pode superar 2°C entre outubro deste ano e janeiro de 2027.

 

De acordo com Ivano Luiz Carniel, técnico da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) no Núcleo de Pato Branco, o fenômeno historicamente está associado a chuvas acima da média na Região Sul e ao aumento da frequência de eventos meteorológicos severos, como vendavais, granizo, inundações, enxurradas e deslizamentos.

 

No Sudoeste, o volume médio de chuva entre outubro e os meses seguintes varia de 180 a 250 milímetros. Conforme Carniel, as precipitações podem ficar entre 50 e 150 milímetros acima dessas médias, dependendo da localidade. Em algum mês, o acumulado poderá superar o dobro do volume habitual.

 

O técnico recorda que, durante o El Niño da safra 2023/2024, a estação meteorológica do Iapar em Pato Branco registrou 653 milímetros de chuva em outubro de 2023, volume quase quatro vezes superior à média. Em novembro daquele ano, o acumulado chegou a 385 milímetros.

 

Trigo exige atenção

 

O excesso de chuva e o encharcamento do solo podem atrasar operações de campo, como o plantio e a colheita, além de favorecer doenças, sobretudo fúngicas, e pragas. Outro risco é a erosão, com perdas de solo e nutrientes.

 

Na atual safra de trigo, a umidade elevada pode ampliar a incidência de doenças e dificultar a colheita. O período de maior atenção coincide ainda com a intensificação do plantio da soja, em outubro, e com o manejo inicial das lavouras de soja e milho.

 

Segundo Carniel, o cenário poderá atrasar a implantação da safra de verão, como ocorreu em 2023, quando a chuva excessiva e o solo encharcado prejudicaram os trabalhos nas propriedades.

 

Embora a nota técnica não apresente estimativas de perdas ou de produtividade, os riscos meteorológicos descritos têm repercussão direta no campo. Além das lavouras, vendavais, granizo, enxurradas e inundações podem atingir propriedades, estruturas produtivas e vias de acesso.

 

Chuva acima da média a partir de setembro

 

No Sudoeste, a chuva acima da média deve ocorrer já em setembro, com intensificação expressiva em outubro. A região também aparece entre as áreas do Estado que exigem maior atenção para movimentos de massa. O aumento do volume acumulado eleva o risco de deslizamentos, enquanto bacias de resposta rápida podem registrar enxurradas e alagamentos repentinos após temporais.

 

A Defesa Civil e o Simepar ressaltam que a previsão sazonal permite estimar com maior precisão o volume acumulado de chuva, mas não antecipa o local exato de vendavais ou quedas de granizo.

 

Como esses eventos têm rápida formação e abrangência localizada, a orientação é acompanhar os avisos meteorológicos e os alertas de curtíssimo prazo.

 

“O produtor deve ficar atento às previsões e às condições meteorológicas para tomar a decisão mais acertada e conduzir melhor a sua safra”, orienta Carniel.

 

Entre as medidas preventivas recomendadas aos municípios estão a atualização dos planos de contingência, a revisão de maquinários e veículos, a manutenção de pontes e cabeceiras, a desobstrução de galerias e canais e o mapeamento das barragens existentes.

 

Os alertas da Defesa Civil podem ser recebidos por SMS. Para fazer o cadastro, basta enviar o CEP da localidade ao número 40199. Em situações de emergência, os contatos são 199, da Defesa Civil, e 193, do Corpo de Bombeiros.



FONTE: Jornal de Beltrão | FOTO: Ligia Tesser