Nesta sexta-feira (18) à noite, serão finalizadas as atividades da VI Semana Acadêmica do curso de Física da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) - Campus Realeza. Desde a segunda-feira (14), quando foram abertas as atividades do evento, mais de 70 pessoas participaram de palestras e minicursos que abordaram questões de ensino, bem como especialidades na área da Física. O encerramento deverá reunir alunos egressos do curso que irão relatar suas experiências.

Um dos momentos mais importantes foi a palestra do professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Eduardo Campos Valadares, logo na abertura do evento. Além dos acadêmicos do curso, também participaram os alunos do terceiro ano e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Estadual José de Alencar, do município de Nova Prata do Iguaçu.

O convidado apresentou uma visão geral de sua atuação na UFMG, falando sobre o envolvimento dos acadêmicos para trazer uma novo olhar ao ensino da Física. "Sempre trabalhamos com a questão da criatividade e da inovação, utilizando materiais de baixo custo e explorando a Física do dia a dia. Ao longo dos anos, encontrei alunos talentosos e entusiasmados para trazer mais charme a Física, organizamos feiras, oficinas de projetos, exposições interativas em espaços públicos - como praças, shoppings e escolas -, depois trabalhamos com novas linguagens, fazendo teatro cientifico e montamos oficinas de modelos moleculares para explorar esse sistema de nanociências", lembrou.

As práticas culminaram na criação do livro "Física mais que divertida", que teve o lançamento da terceira edição realizado após a palestra. Nesta nova edição, o livro traz novos experimentos associando a Ciência ao lúdico e o aprendizado à criatividade e à descoberta, além de estar recheado de ilustrações. O livro já foi traduzido para cinco idiomas: inglês, alemão, espanhol, basco e turco.

"Era importante conceber um olhar inovador para experimentar os fenômenos. Existem muitas maneiras de traduzir suas ideias, procurei fazer um livro que une o lúdico, o criativo ao interesse pelas Ciências. Nesta edição, explorei novas variantes e desenhos, inclui novos temas, como fontes alternativas de energia, por exemplo, a energia eólica; novos conceitos de motores elétricos não convencionais, entre outros. Sempre procurei uma forma acessível discutir coisas como física atômica, mecânica quântica, relatividade geral, mas de uma maneira muito simples que a pessoa possa vivenciar e também conectar a Física com tecnologia e inovação", falou Valadares.

Durante o restante da semana, foram realizados dois mincursos, um deles com o professor Valadares e outro sobre relações trigonométricas, com o professor Marcos Ohse (UFFS/Realeza). As palestras abordaram a "Introdução à física dos Materiais", com Hudison L. Haskel (UFFS/Realeza), a "Radioatividade em Alimentos", com Viviane Scheibel de Almeida (UFFS/Realeza) e conceitos e aplicações sobre cristais líquidos, com Fernando Alves (UTFPR).

A última palestra, realizada na noite de quinta-feira (17), abordou uma descoberta científica importante: a presença de anéis em pequenos corpos do Sistema Solar. A palestra foi ministrada pela aluna do Programa de Pós-Graduação em Física e Astronomia (PPGFA) da UTFPR, Flávia Luane Rommel, ex-aluna do curso de Física da UFFS. Ela, junto com seu orientador, professor Felipe Braga Ribas, integraram uma equipe internacional de astrônomos e anunciaram a descoberta de um anel em torno de Haumea, um dos planetas anões do Sistema Solar Exterior. O estudo foi publicado na Revista Nature, uma importante revista científica britânica.

A palestrante falou sobre a importância da descoberta para a comunidade científica e também para os estudos na área da Astronomia. "Até então ninguém imaginava que esses pequenos corpos do Sistema Solar possuíam anéis, nenhum astrônomo podia supor que eles existiam. Para a astronomia foi uma descoberta nova e que está despertando muitos outros artigos com relação a como estes anéis se formaram nesta região. Até então apenas conhecíamos os anéis entorno de planetas gigantes, como Saturno, por exemplo. Perceber que existe o mesmo padrão de anel entorno desses pequenos objetos é uma descoberta incrível", ressaltou.


Fonte: FONTE: Assessoria